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Revista RI analisa o impacto dos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro no mercado de capitais

Um dos maiores problemas apontados pelos especialistas é que o conflito ideológico dentro do próprio governo é a principal causa da volatilidade do mercado.

São Paulo | 08/05/2019

As expectativas de mudança na política econômica levaram o Ibovespa a bater recorde após recorde e flertar com os 100 mil pontos no dia 18 de março (99.993 pontos), quando atingiu uma alta de cerca de 13% no acumulado do ano. Exatamente um mês depois, o índice encontrava-se nos 94.578 pontos, uma queda de 5,42% frente ao recorde. A volatilidade do principal índice da Bolsa é a demonstração de que os investidores se mantêm cautelosos com o novo governo. "A Bolsa bateu 100 mil pontos - mas não confirmou, pois para confirmar é preciso ter motivos de que realmente estão indo no caminho certo", avalia o presidente da Associação dos Analistas do Mercado de Capitais (Apimec), Ricardo Tadeu Martins.

Um dos maiores problemas apontados pelos especialistas é que o conflito ideológico dentro do próprio governo é a principal causa da volatilidade do mercado. Enquanto a equipe econômica quer um choque liberal, o conservadorismo é uma das características do atual presidente. "O programa do Paulo Guedes é muito mais do que um programa liberal, ele tenta fazer uma revolução liberal, mas o presidente não é liberal", destaca José Roberto Mendonça de Barros, fundador da MB Associados.

Diante do paradoxo, não é possível acontecer neste governo uma grande revolução liberal como esperada inicialmente pelo mercado, o que gera a volatilidade atual. "Isso só acontece quando o presidente tem essa visão. Seria preciso ter um Reagan ou uma Thatcher à frente do processo, o que não é o caso. O Bolsonaro é conservador em todo seu histórico. De qualquer forma, há uma posição clara da equipe econômica de levar a agenda para frente", complementa Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Mas, se as perspectivas são de volatilidade no mercado de capitais no curto prazo, no longo a tendência é de que ele passe a desempenhar seu papel de financiador da economia. Além dos juros baixos, que estimulam a diversificação dos investimentos, provendo mais liquidez ao mercado, a mudança de postura do governo viabiliza esta questão. O BNDES deixa de ser o grande financiador e setores que precisam de grande volume de capital, como a infraestrutura, devem passar a recorrer mais frequentemente aos investidores privados. "A saída do setor público é intensa e vai ser suprida pelo mercado de capitais. Há uma chance de ter um bom crescimento da economia no futuro e o mercado vai se beneficiar deste crescimento. Vejo um cenário bem positivo nos próximos anos. É preciso paciência e temperança", diz Sérgio Vale.

A análise completa está na Revista RI deste mês, que já pode ser conferida em sua versão digital no site: www.revistaRI.com.br