IG - IPOs ganham fôlego em 2013, mas estão longe de repetir euforia do passado

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Veículo: IG
Data: 31.12.13
 

 
IPOs ganham fôlego em 2013, mas estão longe de repetir euforia do passado
 
Volume captado com aberturas de capital foi o maior desde 2007, impulsionado por setores que ganharam evidência fora do índice Ibovespa
 
Enquanto a Bolsa deve amargar mais um ano no vermelho, os IPOs (ofertas públicas de ações, em inglês) em 2013 surpreenderam as expectativas mais otimistas, com um desempenho bem superior a 2012 em quantidade e volume captado: 11 empresas abriram capital, levantando R$ 19,9 bilhões, incluindo o volume preliminar captado pela Via Varejo, última a ingressar na Bolsa este ano.
 
Esta é a maior movimentação de capital em IPOs desde 2007. Parte disso, segundo analistas, se deve ao ingresso na Bolsa de setores que se destacaram, como educação e tecnologia.
 
"Dadas as condições desfavoráveis do mercado, pode-se considerar que 2013 foi um ano satisfatório em IPOs, apesar de existir no Brasil potencial para muito mais aberturas de capital", considera Roberto Indech, responsável pela área de estratégias da Rico.
 
Em 2012, ocorreram apenas três ofertas iniciais, levantando somente R$ 3,877 bilhões, o pior ano desde 2003. Os números passaram longe das projeções feitas pela BM&FBovespa para aquele ano, que esperava entre 40 e 45 IPOs. Após errar feio no chute, o presidente da Bolsa, Edemir Pinto, evitou fazer previsões para este ano.
 
Mas as empresas que ingressaram na Bolsa desde janeiro acabaram captando mais recursos até que em 2011 (R$ 6,689 bilhões), ano em que também ocorreram 11 IPOs. A abertura do BB Seguridade, ocorrida em abril, concentrou R$ 11,4 bilhões, mais da metade do volume levantado pelas outras 10 empresas.
 
Apesar da melhora no cenário, os IPOs deste ano não se comparam ao boom ocorrido em 2007, um ponto fora da curva na história dos mercados, ano em que ocorreram 64 aberturas de capital e foram captados R$ 55,6 bilhões.
 
"Tivemos uma melhora expressiva em relação a 2012, com volume mais favorável, mas estamos longe da euforia ocorrida há cinco anos, que as ofertas eram notícia em todo lugar e atraíam muitos investidores. Hoje os IPOs estão menos em evidência", acredita o analista da Futura Investimentos, Alan Oliveira.
 
Adiamentos e setores promissores
 
Um dos motivos para o maior número de IPOs em 2013, ante 2012, é que muitas empresas haviam postergado a abertura de capital devido às incertezas da economia, como foi o caso da empresa de turismo CVC, que justificou o adiamento para esperar um momento mais propício. Foi a penúltima a abrir seu capital, em dezembro deste ano. A operadora captou R$ 621 milhões e teve os papéis precificados em R$ 16, abaixo da faixa sugerida, entre R$ 18 e R$ 22.
 
Seis de 10 empresas que estrearam na Bolsa (excluindo Via Varejo, que ingressou há duas semanas) este ano tiveram desempenho positivo até o último dia 20 de dezembro, enquanto quatro desvalorizaram. Destaque para o BB Seguridade, do setor financeiro, que valorizou 46% desde que começou a operar. As ações da Linx, de tecnologia, tiveram alta ainda maior, de 85,76%, desde 13 de fevereiro.
 
Uma simulação feita pela professora de finanças do Insper, Andrea Minardi, comparou o desempenho das empresas que abriram capital desde janeiro e o resultado geral do índice Ibovespa, que cai cerca de 18% no ano, mostrou que os IPOs caminharam de forma mais favorável que o maior índice da Bolsa.
 
Se o investidor tivesse comprado R$ 1 de cada uma das ações de nove empresas que fizeram IPO em 2013 (excluindo a CVC, que acabou de abrir capital), teria transformado seus R$ 9 investidos em R$ 10,66, da data da abertura até o dia 27 de novembro. Já se tivesse depositado os mesmos R$ 9 no Ibovespa, no mesmo período, seu patrimônio encolheria para R$ 8,60.
 
A explicação, segundo a professora, é que os IPOs deste ano vieram de setores que têm pouca representatividade no índice, como educação e tecnologia. A exceção foi a Biosev, que é do setor agrícola e teve queda de 35,67% desde seu lançamento.
 
Algumas empresas tiveram receptividade surpreendente no primeiro dia de operações: a Linx (tecnologia) subiu 18%, a Smiles (programa de fidelidade da Gol) cresceu 6% e a Anima (educação) teve alta de 3,83% no pregão de estreia.
 
Outra explicação para o bom desempenho dessas empresas, acredita Andrea, é o fato de seis dos 11 IPOs de 2013 terem sido de empresas controladas por fundos de private equity, como é o caso da BB Seguridade e da CVC.
 
"Isso traz segurança para o mercado, já que os fundos preparam a empresa e trabalham sua governança corporativa antes de abrir o capital, o que dá mais confiança ao investidor", analisa a docente do Insper.
 
Mais espaço para as pequenas
 
Com exceção da Senior Solutions, que estreou com um lote bem abaixo do comum, de R$ 55 milhões, as aberturas de capital estiveram concentradas em grandes empresas. "É preciso criar condições mais favoráveis para que as pequenas companhias abram capital na Bolsa", afirma Indech, da Rico.
 
Na opinião de Andrea, do Insper, o tamanho da empresa ainda influencia muito a demanda de investidores pelas ações, o que dificulta a entrada das de menor porte no Novo Mercado, segmento de mais alta governança corporativa do mercado de capitais.
 
Pelo menos 45% das pequenas e médias empresas (PMEs) pretendem abrir capital no Brasil, mas 62% delas ainda consideram o IPO inacessível, de acordo com um estudo realizado pela Deloitte em parceria com o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores).
 
No fim de novembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou uma instrução que flexibiliza as regras para os aportes de Fundos de Investimento em Participações (FIP) nas empresas consideradas de menor porte. "Isso pode ser um incentivo importante para as ofertas das PMEs na Bolsa", considera Andrea.
 

Veículo: Apimec
Data: 04.12.13
 

 
Prêmio Qualidade 2013
 
A Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec SP) realizou, na noite de 3 de novembro de 2013, no Hotel Blue Tree Faria Lima, sua Festa de Confraternização.
 
Ricardo Tadeu Martins, presidente da Apimec SP, abriu a solenidade e anunciou o Prêmio Qualidade 2013, destacando as melhores reuniões públicas do ano, e o Prêmio Especial para o Prof. Dr. Iran Siqueira Lima, presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) pelo histórico de iniciativas para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro.
 
Juliano Lima Pinheiro, presidente da Apimec MG, participou também da premiação. O evento contou ainda com a presença de representantes de importantes entidades do mercado de capitais, como Mauro Cunha, presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) e Luiz Roberto Cardoso, superintendente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri).
 
Durante o ano de 2013, a Apimec SP promoveu diversas reuniões públicas com empresas na capital e em cidades do interior do Estado de São Paulo.
 
Neste foro, qualificado e independente, onde uma das funções é justamente integrar analistas e empresas, assim como incentivar a melhora constante das reuniões, mais de 7 mil participantes, analistas e profissionais de investimento, estiveram presentes e atentos às informações divulgadas pelas empresas, além de reforçarem o  networking.
 
Foram avaliados pelos participantes requisitos como: material entregue, conteúdo, abrangência, transparência e atualidade das informações fornecidas, além de respostas aos questionamentos dos analistas e contribuição para tomada de decisão.
 
Ricardo Martins anunciou, na ocasião, que em 2013 a Estácio Participações recebeu o Prêmio Qualidade - Melhor Reunião do Ano Apimec SP pelo encontro realizado em 21 de agosto de 2013. A empresa vencedora foi escolhida por um júri qualificado, orientado pela tabulação das avaliações dos analistas e profissionais de investimento, feitas ao final de cada reunião.
 
Virgilio Deloy Capobianco Gibbon, diretor de Relações com Investidores, e Flávia Menezes de Oliveira, gerente de Relações com Investidores da Estácio, representaram a companhia e receberam a premiação. Gibbon agradeceu o prêmio e, em seu discurso, apresentou um breve histórico da companhia.
 
Destaques - Além da Estácio Participações, as seguintes empresas pontuaram entre as melhores reuniões do ano de 2013, em ordem alfabética: Banco Indusval, Bradesco, Braskem, BRF - Brasil Foods, Eternit, Gerdau, Gol, Itaú Unibanco, JSL, Marcopolo, Neoenergia, Profarma e Ultrapar.
   
Prêmio Especial - Prof. Iran Siqueira Lima, presidente da Fipecafi recebeu Prêmio Especial, concedido pela Apimec SP, pela contínua contribuição ao desenvolvimento do mercado de capitais. Os professores doutores Eliseu Martins, presidente do Conselho Curador da Fipecafi, e Nelson Carvalho, diretor de Pesquisas da Fundação, também prestigiaram o evento.
 
Reginaldo Alexandre, presidente da Apimec Nacional, enfatizou o trabalho que tem sido desenvolvido pelo prof. Iran e a liderança da Fipecafi no processo de adoção das normas contábeis internacionais no Brasil. Ricardo Martins lembrou, ainda, a parceria da Apimec SP com a Fundação, que desde 1994 oferece o MBA Mercado de Capitais, focado na capacitação dos profissionais de investimentos.
 
Em seu discurso, prof. Iran relembrou casos ocorridos durante sua gestão no Banco Central como diretor das Áreas de Mercado de Capitais e Fiscalização e as iniciativas para criar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os esforços como titular na Secretaria de Controle de Empresas Estatais (Sest) e como diretor da Telebrás, além da Comissão de Listagem (Bovespa-Mais) da BM&FBovespa.
 

Mais fotos do evento podem ser vistas no link:
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